sábado, 29 de fevereiro de 2020

"AH, MARÇO MARÇAGÃO!"


"Ah, Março Marçagão!"


Ah, Março Marçagão
Que traz o inverno n' alma
E namora o verão!
Dá-nos boa-nova porque
Até tem bom coração:
A Primavera em flor.

Ah, Março Marçagão
Que traz flores no regaço
À conquista da Mulher!
Dá-nos coragem porque
Até tem alma materna:
A Natureza do ser.

Quando falamos do ser
Falamos da Natureza
E também de muitos dias
Que trazem mui alegrias,
Ah, Março Marçagão
Até tem trinta e um dias!

© Ró Mar  

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

"A MINHA TERRA É DISTANTE"


"A minha terra é distante!"


A minha terra é distante
Do Porto e minha pena d' ouro
Ergue-a num rabelo viajante
Levando-a a passear p' lo Douro.

A minha terra é distante
D' Aljustrel e sem canseira
Sabe bem fazer torrão d' Alicante
E outras iguarias da vila mineira.

A minha terra é distante
Do Algarve e tão amante
Da gastronomia Algarvia,
Faz D. Rodrigos na caligrafia!

A minha terra é distante
Do Norte e Sul de Portugal,
Perto de todo o semblante
Porque é grande Capital!

A minha terra é distante
Do campo e é tão verde
Porque é a Capital Verde
Europeia de poesia gigante.

Porque a vida é gritante
Sem poesia! Quando não viajo
Deambulando o meu trajo
A minha terra é distante!

Trajo até à Golegã de burrico
Pra celebrar o puro viajante
Lusitano, porque do Ibérico
A minha terra é distante.

A minha terra é distante
D' estrangeirismos, ações
Só na língua de Camões,
Salve aos regionalismos!

A minha terra é distante
Do campo e são sete as colinas
Espelhadas p' lo Tejo flamejante,
Qu' apregoam as varinas.

Quanto à saudade e pranto
Vou até à casa hilariante
D' Amália escutar o quanto
A minha terra é distante.

D' alma e coração numa magia
Maviosa p' la histórica província
Portuguesa! Ah, a minha miopia,
A minha terra é distante!

© Ró Mar  

MANDA QUEM PODE


MANDA QUEM PODE


Manda quem pode
Mas não manda quem quer,
Manda quem sabe,
Manda o homem e a mulher,
Manda o rico nos milhões,
Manda o pobre contar feijões,
Manda o sábio e o sabichão,
Manda o empregado,
Mas quem mais manda é o patrão,
Mandam todos afinal,
Mandam analfabetos, inteligentes,
Mandam doutores pouco crentes,
Mandam tantos minhas gentes,
Mandam até os inocentes,
Mas já nem se conhecem parentes,
Mandam a vida de todos nós,
Mandaram os que partiram,
Mandam os que se seguiram,
Mandam aqueles que nos deixam sós,
Mandam ainda um dia os netos,
Mandar matar os avós!

"AS QUATRO ESTAÇÕES"


"AS QUATRO ESTAÇÕES"


A vida é a natureza
Das quatro estações,
Com janelas bem abertas
E uma única porta,
Que se fecha de repente,
À saída do planeta!

No ciclo normal da vida
A primavera é eleita,
Quiçá o viscoso frescor
Lhe dê o nobre estatuto!
Quem não gostaria
De ser seu olor perpétuo?

Contudo, as rosas são belas
E também têm espinhos!
Como tudo nesta vida,
A primavera também
Tem razões p'ra ser triste,
Quando a desnorteiam!

A juventude que somos
É o primeiro estádio
Num universo secundário
Que por sua vez é o
Primeiro de nossas vidas,
A natureza de cousas!

Na temática luminosa
"Natureza" consta que
Salta a olho nu aquelas
Puras poesias, porque
Ela é musa formosa
Em qualquer das estações.

No meu coração é
A beleza natural
Que ano após ano
Idolatro, em qualquer
Época e circunstância,
Inclusive no inverno.

Todas as quatro estações
Têm um dom de beleza,
Mas, a minha predileta
É a flor alva de maio,
A natural primavera
Até a porta fechar!

Contudo, sou um outono
Delineado em tom
Vivo, porque o viver
Não é idade, ainda que
No inverno de edredom,
Amarei um outro verão!

Caminho de passagem
Olhando ao segundo
O que de melhor há nelas
["As quatro estações"],
Porque minha natureza
É natureza de cousas.

© Ró Mar  

AS MINHAS CORES


AS MINHAS CORES


Como gosto do verde da campina,
Da erva que cresce e do orvalho que goteja;
Não sinto inveja! - d' ela só admiração.

Daquela porção de terra que me alegra desde menina,
Deixo repousar a minha mente.
Há tantas lembranças, tantas sensações,
Que hoje aquilo que sou ou sinto,
São a semente dessas recordações.

Recordo o amarelo das azedas-
As veredas não teriam o mesmo encanto sem elas;
As belas estevas; brancas como névoas
Que felizmente não embaçam o meu olhar;
O coaxar das rãs nos charcos das águas da chuva,
A uva ainda pintalgada de verde e roxo,
O mocho cinzento/castanho que pia pra lá das manhãs,
O rebanho que pasta sob o azul do céu,
O meu cachorro preto que acha que não basta o ladrar seu!
E eu não me canso de ver o pôr-do-sol;
Aquele entardecer onde o vermelho e o laranja
Lembram que vem a noite no arrebol
E com ele o alvorecer onde tudo terá vida sob a granja!

© RAADOMINGOS