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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

"PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER"


Desafio Poético | Sextilhas

(versos decassílabos)


  ◇

Passamos Pelas Coisas Sem As Ver


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor, 
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

© Eugénio de Andrade

  ◇

"PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER"


Participantes: Ró Mar, RAADOMINGOS 





I

Tão absortos, tão intelectivos!
Andamos milhas sem ver e reter
os fluidos externos, tão concentrados
na nossa vida e tão desacertados
do que podíamos ser observando!
"Passamos pelas coisas sem as ver."

II

Na verdade há um certo cansaço
quotidiano, tantos desvalidos,
Que nos deixa perplexos como nulos!
Então fechamo-nos mais nos casulos
tornando-nos quase irreconhecíveis,
"gastos, como animais envelhecidos."

III

Lá vamos tecendo o próprio viver,
com pezinhos de lã sempre podemos
tentar sobreviver à 'tempestade'!
Perante esta surreal sociabilidade
e movidos p'la voz de desconfiança,
"se alguém chama por nós não respondemos."

IV

Somos 'bichos do mato' ou 'flores de estufa'!
Não estranhamos porque endoidecemos
com o evidente caos, que invadiu
o habitat, surripiou, influiu
os sentidos de tal maneira que
"se alguém nos pede amor não estremecemos."

V

Pois, tornou-se viral certa distância
e ainda mais com tanta escassez de amor!
Tornámo-nos espiritualistas,
egocêntricos, frios, calculistas!
Acostumámo-nos a este viver
"como frutos de sombra sem sabor."

VI

Crentes de poder vir a desfrutar
dum Planeta são e desprovidos
de certos meios vamos encalhando
num suposto estar amealhando
tempo! Esquecidos, pouco a pouco
"vamos caindo ao chão, apodrecidos."

© Ró Mar 


I

Céleres neste ir que se quer a volta
passamos pelas coisas a correr;
age-se como se o hoje roubasse a hora
como se em debandada fosse embora
e nesta contenda com o relógio
"Passamos pelas coisas sem as ver."

II

Neste tom que não se desacelera
acaba-se por se ficar vencidos
e é pois imperativo um travão
comandado pla respectiva mão
para que a existência não nos rotule
"gastos, como animais envelhecidos."

III

Na roda que rapidamente gira,
parece que parco ou nada aprendemos
o mal do mundo é culpa dos loucos,
o bem interessa a muito poucos...
é como convém a ideia; e por tal
"se alguém chama por nós não respondemos."

IV

Não é boa assim uma relação,
é preciso que nos entendemos;
nada se faz aprumado em obstáculos
a união sem amor e sustentáculos
enrijece e como pedra que fica
"se alguém nos pede amor não estremecemos."

V

Habituados à sua redoma
Tratam emoções por baixo valor;
Não se interessam se há nuvens ou sol,
Se originam ou morrem no arrebol;
Alheios sem causa; sensaborões
"como frutos de sombra sem sabor."

VI

Egocentristas em prol da barriga;
principais em egos enaltecidos
discordam dos demais e só desdizem
enraizando eloquentes o que dizem
atordoam e semi inconscientes
"vamos caindo ao chão, apodrecidos."

© RAADOMINGOS
 

Sonetos do Universo | 01/ 2022

domingo, 1 de março de 2020

A NATUREZA


A NATUREZA


Quando penso na natureza
penso que o mundo está do avesso
ao saber-mos que há tanta beleza
espalhada pelo universo,
que tudo está a ser destruído
todos nós, neste mundo disperso

Em que o mundo foi dividido,
cada povo tem o seu dialecto,
não sendo por todos compreendido,
vivemos num mundo incompleto
queremos Paz, saúde, guerras não!
queremos o Universo livre de poluição

Que bom seria os oceanos limpos
há químicos a mais no mar e na terra
quase irrespirável é o ar,
queremos os oceanos, limpar
e para que possamos respirar
temos que limpar a atmosfera,

sábado, 29 de fevereiro de 2020

"AH, MARÇO MARÇAGÃO!"


"Ah, Março Marçagão!"


Ah, Março Marçagão
Que traz o inverno n' alma
E namora o verão!
Dá-nos boa-nova porque
Até tem bom coração:
A Primavera em flor.

Ah, Março Marçagão
Que traz flores no regaço
À conquista da Mulher!
Dá-nos coragem porque
Até tem alma materna:
A Natureza do ser.

Quando falamos do ser
Falamos da Natureza
E também de muitos dias
Que trazem mui alegrias,
Ah, Março Marçagão
Até tem trinta e um dias!

© Ró Mar  

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

"AS QUATRO ESTAÇÕES"


"AS QUATRO ESTAÇÕES"


A vida é a natureza
Das quatro estações,
Com janelas bem abertas
E uma única porta,
Que se fecha de repente,
À saída do planeta!

No ciclo normal da vida
A primavera é eleita,
Quiçá o viscoso frescor
Lhe dê o nobre estatuto!
Quem não gostaria
De ser seu olor perpétuo?

Contudo, as rosas são belas
E também têm espinhos!
Como tudo nesta vida,
A primavera também
Tem razões p'ra ser triste,
Quando a desnorteiam!

A juventude que somos
É o primeiro estádio
Num universo secundário
Que por sua vez é o
Primeiro de nossas vidas,
A natureza de cousas!

Na temática luminosa
"Natureza" consta que
Salta a olho nu aquelas
Puras poesias, porque
Ela é musa formosa
Em qualquer das estações.

No meu coração é
A beleza natural
Que ano após ano
Idolatro, em qualquer
Época e circunstância,
Inclusive no inverno.

Todas as quatro estações
Têm um dom de beleza,
Mas, a minha predileta
É a flor alva de maio,
A natural primavera
Até a porta fechar!

Contudo, sou um outono
Delineado em tom
Vivo, porque o viver
Não é idade, ainda que
No inverno de edredom,
Amarei um outro verão!

Caminho de passagem
Olhando ao segundo
O que de melhor há nelas
["As quatro estações"],
Porque minha natureza
É natureza de cousas.

© Ró Mar  

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

N A T U R A M Á T R I A


N A T U R A   M Á T R I A 



      Natureza que dás tudo:

      Atmosfera e beleza;

      Terra, nosso habitat,

      Universo de riqueza;

      Rios de luz estrelando

      Astros e seres vivos...



      Miraculosa Senhora,

      Ás da vida queremos

      Tela que dê que falar,

      Renovando boa-hora

      [Íris de teu casto olhar]

      A gente que amamos!

ROMANCE



© Lúcia Ribeiro