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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

"ISTO"




"ISTO"


Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

© Fernando Pessoa

*

I

Observo o meu universo
Tal e qual como o sinto
E quanto ao que é disperso
Comtemplo-o por instinto,
"Dizem que finjo ou minto."

Se o vejo nem penso,
Crio o que vem à mão
E tudo compenso
Como uma aparição;
"Tudo que escrevo. Não."

Somente o relevante.
Esquiço o que pressinto,
Caligrafia distante
Num momento constante,
"Eu simplesmente sinto."

Arrimo e cultivo
Signos de compreensão
De teor relativo
E rimo o coração
"Com a imaginação."

Medito o que escrevo!?
Faço-o por devoção
Antiquado ou coevo!?
Quanto à tradição
"Não uso o coração."

© Ró Mar

***

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
"Essa coisa é que é linda."

© Fernando Pessoa

*

II

Tudo revivo e conto
Em letras onde espaço
A saudade que apronto
Nalgum desembaraço,
"Tudo o que sonho ou passo."

Concebo sem lamento
A minha leda lida
E sempre algo reinvento
Na travessia vivida,
"O que me falha ou finda."

A poesia para mim
É magia dum abraço,
Que brota no jardim
Marinho do espaço;
"É como que um terraço,"

Que presenteia luar
Numa viagem linda;
Tempo de desanuviar
E me sentir bem-vinda
"Sobre outra coisa ainda."

Momentos de esperança
Que dão certa vida, ainda
Sorrir como criança
Num colo de amor, inda...
"Essa coisa é que é linda!"

© Ró Mar

***

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
"Sentir? Sinta quem lê!"

© Fernando Pessoa

*

III

Isso que por aí falta
Influencia o seio
E desmesura a pauta
Regendo o recheio,
"Por isso escrevo em meio."

Com vontade de rever
Tudo o que fui até
Agora e reviver;
Ter o olor da maré,
"Do que não está ao pé."

Nada é impossível,
Pois, em tudo creio
Porque é atingível!
Por isso, passeio
"Livre do meu enleio."

Sonho de olhos abertos
Com o amor, Isso é que é!
O que nos traz libertos
E perto de Cairé,
"Sério do que não é."

Se escrevo poesia?
Não sei. Sou alguém que vê
E que com alma cria
Coisas. Arte ou cliché!?
"Sentir? Sinta quem lê!"

© Ró Mar | 01/ 2022

sábado, 8 de agosto de 2020

AS CINCO ESTRELAS DO DIA


AS CINCO ESTRELAS DO DIA


Quando acordas há sol
Porque também há saúde,
Há núcleo de amizade
E o amor de verdade,
O que vem da Terra à Lua;

Quando o dia é de sol
A manhã é primavera,
A tarde é de verão
E a noite serão
Para contemplar a lua;

Quando em todos há sol
Há também paz p'lo mundo
Criando laços de vida
E o sonho tem sentido
Que perpetua p'la lua;

Quando na terra há harmonia
A natureza é poesia
Que bebe 'frescas' na fonte
Daquela felicidade
Que dá mais beleza mar...

Toda a água é límpida
E o respirar... ar puro
Porque o amor é fogo
Qu' arde no céu da boca
E faz-me voar a Marte...

As cinco estrelas do dia
São janelas do ser,
São os cinco sentidos
Em movimento contínuo
No horizonte do querer...

Com as cinco estações
Do ano pra acontecer,
Sim há cinco estações
Pra viver, quer faça sol
Ou chuva há sempre mais uma!

Nesta vida de passagem
O melhor da viajem
É o trem com mais de cinco
Carruagens pra guardar
As bagagens do amor...

Todos os compartimentos
Ventilados d' almas mor,
Para o coração
Respirar os sentimentos
De sol num dia à janela

Luzindo movimentos
Nas 'frescas' que dão cor
E magia a momentos
Que perpetuam o mar
P´lo céu passando por Marte.

domingo, 1 de março de 2020

UM BRILHO DE LUZ...


Um brilho de luz…


Chovia copiosamente
E eu me cruzei contigo
E um toque logo se sente
E algo veio à minha mente
Para falar contigo meu amigo
 
Foi uma razão interior
Que me impeliu a isso fazer
À primeira vista não era amor
Mas algo que com seu calor
Me deu de ti algum prazer

Mesmo chuvosa a noite brilhava
E o céu na sua cor resplandecia
Era um momento que eu amava
E a tua luz assim me chamava
Na beleza da chuva que caía

Por entre as brumas da madrugada
Era um momento intuitivo e emotivo
Era racional e a coisa mais adorada
Para mim que te via como flor dada
Com um carácter que era um lenitivo

De vez em quando sentia um choque
Que me electrizava a minha alma
De repente sentia em mim um toque
Que não me deixava qualquer remoque
Mas que me fazia perder a calma

© Armindo Loureiro  

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

CAMINHOS...


Caminhos…


Caminho por aí
Procuro o que não há
De repente senti
Quando te vi
Que o Sol a Lua me dá

Uma Lua enluarada
Repleta da sua luz
Mas que coisa adorada
Que por mim é amada
E ao Sol ela faz jus

A Lua vem após o Sol
Mas o Sol a fará brilhar
E o par aqui se cole
E a vida em nós role
E que ambos se possam amar

Olho lá longe no Poente
Onde vejo o Sol a se esconder
Logo depois a Nascente
Uma Lua que se sente
Aparece no seu prazer

E na sua translação
Ilumina os nossos rostos
Por ela grande paixão
Se me cria a ilusão
De alguém que está a postos